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Renovação – Quando a vida pede uma faxina

Os ciclos de renovação são parte da nossa natureza. Assim como as plantas, animais e as estações, que seguem uma ordem de desenvolvimento e  transformação, o mesmo acontece com nós, humanos. Não apenas nascemos, crescemos, produzimos, reproduzimos e morremos. Enquanto o ciclo natural de vida acontece, de tempos em tempos, nós também sentimos a necessidade de fazer uma faxina interna, trocar as folhas, desapegar e “jogar fora” o que não nos serve mais .

Escancarando o armário

Seria como aquelas faxinas que fazemos nos armários em casa.

Ao limparmos um armário, abrimos as portas, e geralmente puxamos tudo pra fora. E, em meio ao quase desespero da bagunça toda que se formou, respiramos fundo, acalmamos o pensamento e antes de deixar o ímpeto de jogar tudo no lixo se instale, avaliamos com calma o que vai ter um novo destino e o que permanece.

Se se desapegar de coisas há tempos atulhadas em armários é difícil, imagina fazer isso com o que não é palpável? Quando lidamos com sentimentos, experiências, planejamentos, metas, sonhos e idealizações e toda uma série de influências externas que exercem algum tipo de impacto sobre nossas vidas, é inevitável em algum momento sentirmos a tal da frustração.

Poxa vida, dói. Afinal, tivemos a melhor das intenções em fazer um curso, investir num novo negócio ou trabalho, num relacionamento mas nem sempre a realidade correspondeu à expectativa. Afinal, nem tudo foi como desejamos. E mesmo assim continuamos num caminho que já pode não estar levando a lugar nenhum, aumentando ainda mais o peso que leva a mais frustração, dor e até doenças, mas sem muita coragem de mudar.

E o que fazer com aquilo que se tornou um peso?

Sim. Temos opções e entregar os bets não é uma delas, ok?

1- Rolar essa “pedra” para sempre embrulhada em lamúrias, desculpas e histórias que vão justificar não aos outros, mas a nós mesmos a razão de continuarmos eternamente carregando aquela tralha emocional toda e adoecer com isso.

Ou

2- Jogar tudo “no meio da sala”, avaliar o que fizemos ou deixamos de fazer, entender os aprendizados contidos, e decidir do que vamos nos desapegar, para dar espaço ao novo. É agir com responsabilidade sobre o que nos compete. Esqueça o que os outros falaram, fizeram ou agiram. Se não está bom pra gente, quem tem que mudar é a gente, não os outros.

E porque nem sempre optamos pela segunda opção?

A mente humana é dotado de muita complexidade. Avanços tecnológicos e estudos científicos já nos permitem identificar muita coisa, mas ainda é uma pequena fração de como funcionamos,  de como certas doenças se desencadeiam e de onde vem e pra onde vão nossos pensamentos, sentimentos e como  e porque reagimos a tudo e cada um de uma maneira.

Por isso não podemos ser tão simplistas e apenas dizer que “são suas crenças limitantes. Se livre delas e tudo está resolvido”. Não. Não é beeeemmmm  assim. Se fosse, e diante de tudo o que existe e prometem internet e mundo afora, a humanidade já estaria bem mais evoluída, rica e feliz. Não teríamos tanta pobreza, miséria, mediocridade, intolerância e não estaríamos diante de números tão alarmantes de disfunções emocionais como depressão e ansiedade.

É preciso força de vontade para encarar essa faxina? Sim, muita. Voltando à analogia do armário, é como aquela roupa de estimação. Que nem serve mais, ou está manchada, furada, desbotada… Mas simplesmente temos um apego e não conseguimos jogar fora. E ela volta para o armário. Muitos sentimentos e coisas que carregamos em nossas vidas são como essas roupas. Elas voltam para o armário. E voltam a ficar lá, ocupando espaço. Acreditamos que uma dia será útil. Mas ela vai continuar lá, juntando poeira, ocupando espaço e sim: atrapalhando. E tudo bem ficar lá guardado. O armário é seu. E vai ficar até o dia que a você  se encher de força e coragem e dizer: Chega, já deu!

E ao declarar independência de algo que nos aprisiona, fere e adoece, o que invade em nosso peito é a sensação de leveza e liberdade e acontece mesmo de sair aquela frase “porquê eu não fiz isso antes?” ser proferida. Apenas divirta-se com isso. Evite se julgar e criticar.  O mundo já faz isso o suficiente por você. Apenas entenda que você se libertou de algo quando conseguiu fazê-lo. Evite a culpa. Não vai agregar em nada. Somos humanos e cada um de nós tem nossas próprias limitações. Celebre a sua vitória e sim, viva este novo ciclo, afinal, você conseguiu!

Tal como a mudança das estações para o que vestimos, aprenda a identificar a mudança das estações da sua vida.  E não tenha medo da faxina. Pequena ou grande. O que você conseguir. O que puder. Mas faça. Respeite o seu ciclo, sua vida. A sua história desde sua concepção é o seu armário. E só você sabe o que tem dentro dele e só você sabe o que deve ou ainda precisa ficar e o que precisa sair.

O quê e quem pode ajudar

A prática de meditação, auto análise, reflexão, terapias complementares, estudos religiosos, leituras e processos de coaching podem ser benéficos para o equilíbrio, desenvolvimento e até fortalecimento emocional, mas  jamais vão substituir o acompanhamento de médicos especialistas ou psicólogos, especialmente com pessoas com diagnóstico de transtornos emocionais ou outras doenças graves. Aliás, algumas práticas, como o coaching devem ser, inclusive, evitadas a pessoas com quadros de depressão profunda ou ansiedade aguda, por exemplo.

Procure sempre profissionais devidamente habilitados, com consciência dos limites de sua atuação e que prezem pela ética e seriedade e bom senso em seus atendimentos. Saúde emocional é coisa séria e deve ser acompanhada por gente séria. E quem é sério jamais promete “cura” da noite para o dia, seja com o que for, pois sabe que essa faxina é um processo gradual e os limites de cada ser humano devem ser respeitados sempre.

 

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